Articulação da AZM traz chefe-geral da Embrapa Café à Zona da Mata e abre novas frentes para pesquisa, inovação e desenvolvimento regional
8/24/2026
Missão técnica percorreu Viçosa, Muriaé, Vieiras, Pedra Dourada, Carangola, Divino, Alto Jequitibá e Alto Caparaó, aproximando a pesquisa nacional da realidade dos produtores e das potencialidades da região.
Entre os dias 10 e 14 de agosto, a Zona da Mata Mineira recebeu uma missão institucional e técnica da Embrapa Café, liderada pelo chefe-geral da instituição, Rodolfo Osorio de Oliveira. Articulada pelo presidente da Agência de Desenvolvimento das Regiões da Zona da Mata e Campos das Vertentes de Minas Gerais (AZM), Carlos Eduardo Pereira Orácio, o Kadu Orácio, a agenda buscou aproximar a pesquisa, a inovação e as tecnologias desenvolvidas no país das demandas dos produtores e dos diferentes territórios cafeeiros da região.
A visita traduz, na prática, um dos principais propósitos da AZM: conectar instituições de pesquisa, universidades, produtores, cooperativas, empresas e poder público para transformar potencialidades regionais em oportunidades de desenvolvimento, geração de renda e inovação.
Agenda começa em Viçosa, com UFV, Embrapa Café e tecnoPARQ
A programação teve início em Viçosa, um dos principais polos de ciência e tecnologia agropecuária do Brasil. O primeiro compromisso foi um encontro institucional com o reitor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Demetrius David da Silva, que fortaleceu o diálogo entre a universidade, a Embrapa Café e a AZM sobre novas possibilidades de cooperação para o desenvolvimento da cafeicultura regional.
A passagem por Viçosa incluiu conversas com técnicos e pesquisadores da Embrapa Café que atuam em integração com a UFV e a Epamig, contribuindo para aproximar o conhecimento científico acumulado por essas instituições das necessidades das propriedades rurais da Zona da Mata.
A missão conheceu ainda o tecnoPARQ — Parque Tecnológico de Viçosa, ambiente de inovação ligado à UFV que promove a aproximação entre conhecimento científico, empreendedorismo, tecnologia e desenvolvimento econômico. A visita abriu espaço para discutir como ferramentas tecnológicas e novos modelos de inovação podem ampliar a produtividade, a qualidade, a rastreabilidade e a competitividade no campo.
Muriaé e Vieiras: café e novas possibilidades para a piscicultura ornamental
A agenda seguiu por Muriaé e chegou a Vieiras, onde Rodolfo Osorio pôde conhecer mais de perto as características produtivas e o potencial da cafeicultura local.
Em Vieiras, a missão foi além do café e apresentou ao chefe-geral da Embrapa Café uma atividade de grande importância econômica para o município e para a região: a piscicultura ornamental.
O encontro evidenciou a dimensão da cadeia produtiva, seus desafios tecnológicos e suas possibilidades de expansão. A partir da visita, Rodolfo colocou-se à disposição para construir uma ponte institucional com a Embrapa Pesca e Aquicultura, abrindo caminho para levar pesquisa, tecnologia, inovação, sanidade, melhoramento produtivo e conhecimento especializado aos produtores de peixes ornamentais da Zona da Mata.
Para a AZM, o encaminhamento demonstra a importância de uma agenda regional integrada, capaz de identificar vocações que muitas vezes permanecem distantes dos grandes centros de pesquisa e conectá-las às instituições nacionais que podem contribuir para seu desenvolvimento.
Pedra Dourada: ciência e inovação no centro das discussões
Outro momento de destaque ocorreu em Pedra Dourada, com a visita à Capital Agro Investors e ao seu centro de pesquisa.
De acordo com informações divulgadas pela própria empresa, a estrutura possui 6,2 milhões de metros quadrados e abriga o que ela apresenta como o maior centro privado de pesquisa em fertilizantes do mundo. No local, são desenvolvidas tecnologias voltadas à nutrição de plantas, ao manejo dos solos, à produtividade e à sustentabilidade de diferentes culturas, entre elas o café.
A passagem pela Capital Agro Investors possibilitou uma discussão sobre pesquisa aplicada, fertilidade, novas tecnologias e inovação para a cafeicultura da Zona da Mata. O encontro gerou encaminhamentos para ampliar a cooperação e aproximar os trabalhos desenvolvidos no centro de pesquisa dos desafios enfrentados pelos produtores da região.
O objetivo é transformar ciência e tecnologia em resultados práticos no campo, contribuindo para o aumento da produtividade, a melhoria da qualidade e a maior sustentabilidade da produção.
Carangola reúne produtores, cooperativas, instituições e lideranças
Em Carangola, a missão ganhou um caráter amplo de integração regional. Empresários, autoridades, produtores rurais e representantes de instituições, cooperativas de produção e cooperativas de crédito conversaram com o chefe-geral da Embrapa Café sobre o presente e, principalmente, o futuro da cafeicultura. Os participantes puderam compartilhar experiências, dificuldades e perspectivas.
A cafeicultura regional é marcada pela agricultura familiar, por propriedades de diferentes portes e por um movimento crescente em direção à produção de cafés de qualidade. A aproximação desse ambiente produtivo com a Embrapa Café cria oportunidades para que pesquisas e tecnologias estejam cada vez mais conectadas às demandas do território.
A agenda incluiu também a aproximação com a Unicafes-MG, instituição que representa o cooperativismo da agricultura familiar e da economia solidária em Minas Gerais e atua na organização, representação e fortalecimento dos agricultores familiares.
Do campo à exportação: missão conhece produtores em Carangola e Divino
Na quinta-feira, dia 13, a programação foi dedicada ao contato com quem está diariamente no campo. Após a agenda com a Unicafes-MG, a comitiva percorreu propriedades rurais na região da Conceição, em Carangola, conheceu sistemas produtivos e conversou diretamente com cafeicultores sobre os desafios enfrentados.
Em seguida, a missão seguiu para Divino, outro importante município produtor da Zona da Mata. A programação do dia terminou com uma visita ao produtor e empresário Newton Pereira Portes, nome tradicional da cafeicultura local e ligado à empresa Newton Comércio e Exportação de Café, fundada em 1986 e atuante no comércio atacadista, no beneficiamento e na cadeia comercial do produto.
Ao lado da filha Thessalia, que acompanha o pai e dá continuidade à tradição familiar na cafeicultura, Newton compartilhou experiências acumuladas ao longo de décadas. A conversa apresentou à missão a perspectiva de quem acompanha diferentes etapas da cadeia, da produção à comercialização e à exportação.
O encontro mostrou que o fortalecimento da cafeicultura regional depende da integração de todos os seus elos: produção, pesquisa, assistência técnica, cooperativismo, beneficiamento, mercado e exportação.
Alto Jequitibá e Alto Caparaó: cafés especiais, agricultura familiar e turismo de experiência
Na sexta-feira, dia 14, a missão chegou a Alto Jequitibá e Alto Caparaó, encerrando a programação com visitas a propriedades de agricultores familiares e médios produtores. A comitiva conheceu a produção de cafés especiais do Caparaó, os métodos adotados e uma combinação que se consolida como importante ativo econômico regional: café de qualidade, paisagem, natureza, gastronomia e turismo de experiência.
Especialmente em Alto Caparaó, a cafeicultura ultrapassa os limites das propriedades rurais. As montanhas, o Parque Nacional do Caparaó, a cultura das famílias produtoras e os cafés especiais oferecem ao visitante uma experiência completa, agregando valor ao produto e ao território. A proposta é apresentar a propriedade, a história das famílias, a produção e os processos de pós-colheita, mostrando que por trás de cada xícara existem uma cultura e uma cadeia produtiva.
Em Alto Jequitibá, a missão visitou a propriedade da agricultora familiar Paula Gripp, responsável, junto com sua família, pelo Coffee Gripp — Cafés Especiais. Criado em 2018, o empreendimento deu continuidade a uma tradição familiar centenária na cafeicultura do Caparaó e demonstra como qualidade, beneficiamento, marca própria, comercialização e turismo rural podem agregar valor à produção.
A produção é familiar e artesanal, dos cuidados com a lavoura e a colheita à preparação dos cafés especiais. A propriedade passou a integrar café, turismo rural e experiências para visitantes, fortalecendo a relação entre produção, território e geração de renda. Com assistência técnica, qualificação, empreendedorismo e acesso a mercados, a família avançou também na comercialização internacional: a primeira exportação do Coffee Gripp ocorreu em 2024.
A passagem por Alto Jequitibá terminou na Cafeteria Coffee Gripp, onde produtores rurais, autoridades locais e regionais, representantes de cooperativas de crédito, da iniciativa privada e de instituições de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) se reuniram em torno de uma mesa e de um café produzido no próprio município.
O encontro sintetizou o espírito da missão ao reunir quem produz, pesquisa, presta assistência técnica, financia, empreende e contribui para a formulação de políticas e estratégias para a cafeicultura. Também reforçou que inovação e tecnologia precisam alcançar pequenos e médios produtores, ajudando-os a ampliar a produtividade, melhorar a qualidade, reduzir custos, agregar valor e acessar novos mercados.
Uma agenda que deixa encaminhamentos para a região
Mais do que uma sequência de visitas institucionais, a passagem do chefe-geral da Embrapa Café pela Zona da Mata deixou novas conexões e encaminhamentos concretos.
Entre eles estão o aprofundamento do diálogo entre a Embrapa Café, universidades, centros de pesquisa e setor produtivo; a construção de possibilidades de pesquisa aplicada à realidade regional; a aproximação entre tecnologia e produtores; o fortalecimento das relações com cooperativas e agricultores familiares; e a abertura de uma interlocução com a Embrapa Pesca e Aquicultura para a piscicultura ornamental de Vieiras e da região.
Para o presidente da AZM, Kadu Orácio, a presença do chefe-geral da Embrapa Café nas propriedades e o diálogo direto com os produtores representam o modelo de desenvolvimento regional que a Agência busca construir.
“A Zona da Mata possui produção, conhecimento, empresários, cooperativas, agricultores familiares, universidades e inúmeras vocações. O nosso trabalho é conectar tudo isso. Não queremos que a pesquisa fique distante do produtor, nem que as necessidades dele deixem de chegar às instituições de pesquisa. Trazer o chefe-geral da Embrapa Café para percorrer nossa região, entrar nas propriedades, conversar com quem produz e conhecer nossas potencialidades é um passo importante para construirmos projetos de longo prazo para a cafeicultura da Zona da Mata”, destaca Kadu Orácio.
Segundo ele, o objetivo da AZM é transformar essas agendas em projetos permanentes.
“Não queremos realizar visitas que terminem no último compromisso da agenda. Cada encontro precisa deixar um encaminhamento, seja aproximando a Embrapa Café dos produtores, conectando Vieiras à Embrapa Pesca e Aquicultura, construindo pesquisas com a UFV e outros parceiros ou aproximando centros privados de pesquisa da cafeicultura regional. É essa rede que pode ajudar a Zona da Mata a produzir mais e melhor, agregar valor e gerar novas oportunidades para quem vive no território.”
A missão reafirma a estratégia da AZM de tornar a Zona da Mata um território cada vez mais integrado à ciência, à tecnologia e à inovação, sem perder de vista quem está na base de todo esse processo: o produtor rural.
O desafio agora é dar continuidade aos encaminhamentos dos cinco dias de agenda e transformar as conexões estabelecidas em pesquisa, projetos, tecnologia, qualificação, novos mercados e desenvolvimento para toda a região.























